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Mostrando postagens com o rótulo Gláucia Gotardo

´Freud lê... Ondjaki: "A vida comum"

Quanto tempo ausente e longe da escrita, quase 2 meses, os dias se encheram de afazeres e acabamos deixando este espaço de diálogo em pausa, como se fosse possível, parar de puxar o fio que conduz nossa vida e voltar lá, onde deixamos um nó para desatar. E que nó ficou aqui para desatar! Falamos nos outros textos de sonhos, desejos, do que nos move e agora só queríamos falar da vida. Que difícil escolher um texto específico quando se quer falar do dia a dia, da vida que se constrói a cada pulsão. E, em meio a tantas histórias, voltei àquelas sobre a infância e o olhar da criança, afinal "a vida acontece muito de repente˜, como afirma Ondjaki no conto "O último carnaval da Vitória", do livro Os da minha rua. Essa ideia do de repente da vida junto com vários acontecimentos recentes nos fez pensar no que é a vida e, nesse preâmbulo, encontrar um pouco desse sentido na voz do menino narrador de Ondjaki nos trouxe um certo alento: "A vida às vezes é como um jo...

Freud lê… Bartolomeu Campos Queirós: "Por parte de pai"

Desde que começamos este espaço temos falado de memórias, de sentimentos vivenciados a partir delas ou apesar delas. Hoje quero retomar a figura do avô presente em outra obra de Bartolomeu Campos Queirós, o avô paterno, por quem o menino-narrador tem tanta admiração e afeto. O avô da obra “ Por parte de pai” é quem ensina o narrador a registrar o mundo por meio da escrita. Era a partir das histórias escritas pelo avô que o menino ia relendo a vizinhança, os vizinhos, os pequenos e grandes acontecimentos que eram registrados pelo avô nas paredes da casa, tudo o que acontecia na pequena vila onde moravam, como uma necessidade de imobilizar a vida: "Usava todas as janelas da casa, apreciando os quatro cantos do mundo, sempre surpreso, descobrindo uma nova cor, um novo vento, uma nova lembrança. Havia tanto mundo para ver, dava até preguiça, diz ele. Uma coisa meu avô sabia fazer: olhar. Passava horas reparando o mundo. Às vezes encarava um ponto no vazio e só desgrudava q...